quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA

O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA
por Henrique Ribeiro
                                            
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                                                                                                                          imagem:Uol.com.br 
 
Teleco tinha 22 anos. Desde criança ele sofria de um distúrbio mental grave, que era controlado com remédios. A doença piorou depois que ele começou a beber. Depois, a usar maconha. Cocaína. Crack. Teleco tinha visões, mania de perseguição, TOC. E tudo mais que alguém perturbado mentalmente pode ter. Chegou a um ponto em que ele não controlava mais seu sistema excretor – urinava e defecava sem querer. Não lembrava mais da infância, da família, ou que diabos acontecera para ele estar agora no manicômio judiciário.

Um dia, os internos estavam tomando banho de sol – dando voltas como zumbis ao redor do pátio – quando alguém pensou ter ouvido música de circo. Sim! Era a mesma música que Teleco ouvira no Teatro Boca Rica, há tantos anos atrás. Uma moça de cabelo encaracolado e um rapaz magricela apresentavam o espetáculo. Vieram os leões, os elefantes, os palhaços, os trapezistas, o mágico, um show como jamais houve em todos os tempos. Enquanto os outros internos estribuchavam e babavam no chão, Teleco observava, e sorria, e aplaudia – parece até que está entendendo o show!

Quando o espetáculo acabou, Teleco ficou espreitando os operários e os artistas desmontarem o circo, colocando os animais na jaula. O jovem quis falar com os mágicos, mas o enfermeiro não permitiu. Teleco insistiu, gritou, chorou, até que perdeu o controle e atacou (?) uma das acrobatas. Dois brutamontes de bata branca agarravam o pobre rapaz enquanto um terceiro lhe aplicava uma injenção de sedativo. Por causa desse episódio, Teleco ficou duas semanas na “solitária”.

Alguns anos depois, Teleco foi liberado para passar o natal com a família. Seus pais o levaram ao centro da cidade para fazer compras. De repente, na praça José de Alencar, um jovem casal desce, apressado, de um velho carro. “São eles, mãe, o circo, o circo”! Correndo aos tropeções e derrubando toda barraca que via pela frente, Teleco chegou ao circo. E bem na hora em que o mágico perguntou se alguém queria participar de um número. O Teleco empurrou todo mundo e gritou:“Eu! Eu!”. Alguns segundos depois, os pais do Teleco chegam à igreja, suados e cansados da correria. Teleco estava ajoelhado diante de uma caixa de marionetes. Era um culto para crianças. Depois de abraçar o casal que apresentou o teatrinho sobre Jesus, Teleco olhou para os pais e disse: ”Pai, Mãe,  agora eu sou livre".

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